Portal CDN | | Economia criativa: novos desafios culturais
Economia criativa: novos desafios culturais
As novas ideias e o universo da criatividade são um negócio e desde o final da década de 1990 é um dos mais promissores entre os ramos da economia internacional, aquele de crescimento mais rápido.
Quando observou este fenômeno, John Howkins - um executivo com larga experiência no ramo de entretenimento e mídias – decidiu teorizar sobre o assunto. Como resultado escreveu e publicou o best-seller The Creative Economy – How People Make Money from Ideas.
Seu livro cunhou o termo “Economia Criativa” e hoje é ponto de partida para discussão da gestão de ideias inovadoras e como elas se tornam fundamentais como estratégias para as corporações tradicionais.
Lançando em abril seu novo livro “Criative Ecology – Where Thinking is a Proper Job”, professor Howkins concede esta entrevista exclusiva para a CDN Cultural.
CDN CULTURAL – O que é economia criativa e qual seu papel na economia global?
JH: A economia criativa é o negócio que usa ideias para fazer novas ideias, então ela inclui todas as atividades onde pessoas usam seus cérebros para criar, inventar, inovar algo que tenha valor comercial. Este valor é intangível e simbólico, muito regularmente protegido pelas regras da propriedade intelectual. A propósito, assim como para lidar com a economia criativa, também precisamos novas regras sobre direitos autorais e patentes.
CDN CULTURAL – A criatividade é bem-vinda em momentos de crise internacional ou deve ser preservada para os momentos de segurança?
JN: Hoje, lidando com uma crise econômica, energética e ambiental, assim como uma crise de governança, precisamos de criatividade e inovação mais que nunca. São necessárias novas ideias para solucionar tais crises. O atual sistema falhou.
No entanto, devemos ser muito cuidadosos sobre isso. Temos que admitir que a criatividade e a inovação são parte do problema, assim como de sua solução. Precisamos de novas ideias, mas também um melhor entendimento de tais ideias e seus efeitos. “Novidade” simplesmente não é necessária e universalmente desejável.
Por exemplo, a crise bancária foi produzida em parte por conta de agentes que ofereceram produtos sem que ninguém – os negócios, o governo, reguladores, ou associação de consumidores – os estivessem monitorando. Em algumas áreas, estamos produzindo mais novidades do que podemos monitorar. Em outras, estamos desesperadamente em busca de novas ideias – como o setor de turismo, que causa tanta poluição.
Então, precisamos de mais criatividade, mas também de um melhor entendimento de como a criatividade opera na sociedade. E isso se aplica tanto em bons quanto em maus momentos.
CDN Cultural – Há alguma forma de incorporar a mentalidade da economia criativa em instituições tradicionais?
JN: A economia criativa é o departamento de “Pesquisa e Desenvolvimento” de toda a economia. Se uma instituição tradicional irá ou não ouvir este departamento depende dos indivíduos. Mas os líderes de negócios precisam levar em conta novas abordagens de seus subordinados.
CDN Cultural – No Brasil há poucas parcerias entre instituições tradicionais e as criativas – usualmente patrocínio a eventos artísticos entendidos como estratégia de branding. De alguma maneira isso poderia ser mais orgânico?
JN: A economia criativa não é somente sobre arte e cultura: ela deve ir além do patrocínio. É sobre pessoas e ideias. Sua distinção fundamental lida com a repetição (em atividades como agricultura e mineração) e novidade (como design e mídia). Uma companhia tradicional pode ser repetitiva e criativa. As companhias aeroespaciais brasileiras são criativas. Assim como o prefeito de Curitiba, que é mencionado em meu novo livro Creative Ecologies.
Meus workshops são organizados em períodos intensivos onde os participantes de todo tipo de companhia aprendem como desenvolver seus próprios insights individuais. Aprendem a usar a força de seu grupo. Aprendem a criar uma “ecologia” onde os benefícios podem se espalhar. Isso pode operar em qualquer nível da organização.
A prática de junção entre modelos criativos e tradicionais pode ser bem sucedidos, mas a melhor junção é aquela em que os dois lados – o criativo e o tradicional - trabalham conjuntamente. Isso eu chamo de ecologia criativa. Ela leva a um nível maior de satisfação pessoal e um notável ganho de produtividade.
John Howkins escreve sobre economia criativa há anos. Realizou trabalhos para governos e instituições na Austrália, Canadá, China, India, Japão, México, Marrocos, Polônia, Singapura, Reino Unido, EUA e outros 15 países. É professor da Lincoln University na Inglaterra e professor visitante da Shanghai School of Creativity na China.



















Muito bom, Parabéns…