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25.03.2010 | CDN, Notícias

Belo Horizonte entra no circuito dos museus internacionais

Acervo virtual, imagens cenográficas fortes, efeitos holográficos (miragens), atrações interativas e projeto educativo inovador inserem o Museu das Minas e do Metal EBX em Belo Horizonte, no roteiro dos mais modernos do mundo, uma parceira da EBX Investimentos com o governo de Minas Gerais. O investimento é de R$ 25 milhões, num projeto ousado: adequar um prédio do final do século XIX e tombado pelo IEPHA (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais) às necessidades de um museu contemporâneo, que ocupa 6 mil m², com 18 salas de exposição e cerca de 50 atrações em 3D e 2D. A inauguração será em 22 de março, às 19 horas, e a abertura ao público, em meados de abril, após um período de soft open, com duração de aproximadamente 15 dias, para grupos convidados.

O prédio da antiga Secretaria da Educação, que integra o Circuito Cultural Praça da Liberdade e vai abrigar o MMM, foi inaugurado em 12 de dezembro de 1897, junto com a nova capital, que ainda era chamada Cidade de Minas. Para romper com o Império e o estilo colonial das construções de Ouro Preto (Patrimônio da Humanidade/Unesco), sede da antiga capital, o prédio, assim como a cidade, foi construído em estilo eclético, sob forte influência francesa tanto na fachada externa quanto na decoração interior, repleta de elementos art nouveau, em função dos movimentos políticos e culturais daquela época.

Com a assinatura de Marcello Dantas, autor do projeto museográfico, toda a proposta é voltada para o conhecimento e o entretenimento. Para ele, “somente Minas Gerais poderia ter um museu como este”, dada as características do estado, a história econômica, social e cultural da sua atividade mineradora, a riqueza do subsolo e suas paisagens cravadas nas montanhas de minério de ferro.

Foram selecionadas 11 minas – ferro, ouro, diamante, nióbio, zinco, pedras coradas, manganês, grafita, alumínio, calcário e água – para contar a história de Minas e do país a partir de personagens como Dom Pedro II e a imperatriz Tereza Christina, uma das poucas mulheres a mergulhar nas profundezas da Mina de Morro Velho (acreditava-se que quem usava saia – mulheres e padres – provocava acidentes em minas), Mendelleev e a tabela periódica, o barão Wilhem Ludwig von Eschwege, entre outros.

Formado em Cinema e Televisão e pós-graduado em Telecomunicações Interativas pela New York University, ele tem entre seus trabalhos a direção artística do Museu da Língua Portuguesa (SP) e o Museu do Caribe, na Colômbia, e, mais recentemente, a exposição 50 anos de carreira do cantor e compositor Roberto Carlos.

Além da museografia moderna, novo recorte conceitual e grandes espaços doam também nova vida à coleção de mineralogia do Museu Professor Djalma Guimarães, que terá tratamento especial, além de uma sala em homenagem a esse importante geólogo mineiro. O MMM propõe uma curiosa viagem pelas eras do metal e seus desdobramentos
na história da humanidade. Um novo olhar sobre o patrimônio cultural de Minas Gerais e o desenvolvimento econômico: do ciclo do ouro à indústria de microprocessadores.

O projeto arquitetônico que permitiu compatibilizar novas ideias e a preservação do patrimônio público é do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, com acompanhamento feito pelo seu filho, o também arquiteto Pedro Mendes da Rocha. Paulo Mendes da Rocha recebeu em 2000 o prêmio Mies Van der Rohe de Arquitetura Latino-Americana por sua obra de renovação da Pinacoteca do Estado de São Paulo e, em 2006, o prêmio Pritzker, considerado o “Nobel da Arquitetura”.

A direção dos trabalhos de criação e instalação do museu é sinalizada pela diretora de Projetos Culturais e Sociais da EBX, Helena Mourão, que acompanha pessoalmente todas as etapas dos processos nos diversos segmentos para a criação de um museu que pode ser definido como “extraordinário”. Ela conta com o apoio dos departamentos
jurídico, financeiro, de comunicação, de engenharia, entre outros do Grupo EBX.

Como se pode perceber, a escolha da equipe de criação do MMM envolveu um critério básico: alguns dos melhores profissionais do mercado, lembrando que a temática do conteúdo do arquiteto e do museógrafo foi proposta pelo governo do estado. Daí em diante, todos os prestadores de serviço foram selecionados seguindo a mesma linha de qualidade para a elaboração de todos os projetos, desde a restauração, pelo Grupo Oficina do Restauro, o mesmo que fez a restauração do Palácio da Liberdade, passando pelo projeto de restauro arquitetônico, da Século 30 – Restauro e Arquitetura, pelo gerenciamento do Projeto Arquitetônico, AFT com o escritório de arquitetura de Ângela Arruda, execução da obra projetos de Engenharia da Uni Construtora, especializada em ampliação de shoppings, obras de restauração no Rio, Tiradentes e Museu Inimá de Paula, em Belo Horizonte, até a fiscalização da obra, a cargo da Concremat. Ao todo, foram 593 pessoas para transformar o MMM em realidade.

“O Museu das Minas e do Metal é um presente para os mineiros”, resume o presidente do grupo, Eike Batista, com o apoio do pai, Eliezer Batista: “Somos um museu do futuro, interativo, voltado para o conhecimento”. Convidada para fazer a curadoria educativa do MMM, a psicóloga Adriana Teixeira da Costa é mestre em História (PUCSP), com especialização em Política Internacional, e dedica-se à área de Responsabilidade Social e Curadoria Educativa desde 1991. Para ela, “o museu é uma casa cheia de personagens que vai atrair muitos outros. Em três anos, serão trabalhadas biografias, cartografias e iconografias dentro do cronograma estabelecido para o Projeto Educativo, com seminários, webnários, colóquios e préroteiros escolares para professores”, explica.

Adriana acumula experiência em empresas que desenvolvem projetos nesse segmento, como a C&A, Bunge, Unilever, Nestlé, Vivo, Eli Lilly, entre outras. Na área internacional, destacam-se os trabalhos realizados em programas de Cooperação na América Central (Voluntariado Nações Unidas); Cooperação em Desenvolvimento Comunitário em
Moçambique; e parceria com a Alemanha para programas de empreendedorismo social no Brasil. Atualmente, ela mora na região da Filadélfia, nos Estados Unidos, e periodicamente vem ao Brasil, mas confessa que o Projeto Educacional do Museu das Minas e do Metal é algo especial em sua vida. “Vou trabalhar com um museu de imagem”,
que é a proposta do Marcello Dantas. “A forma didática que ele achou para puxar as pessoas foi personificar a questão das minas. Contar a história a partir de personagens importantes. Alguns históricos, como Chica da Silva, com leitura de textos feita pela atriz Zezé Mota e cenas do filme de Cacá Diegues, em que foi protagonista, e também personagens
imaginários, como o Zinc, um boneco de lata”, completa.

Ela acredita que essa é uma maneira muito positiva de fazer o primeiro contato com o conteúdo denso do museu. Trabalhar o museu como uma casa onde moram várias personalidades da história e personagens do futuro, com informações que serão complementadas pelo educativo, por meio das pesquisas de biografias e do desenvolvimento de dinâmicas e materiais didáticos, o que é desafiante e apaixonante. Preocupações que estão presentes no museu o tempo todo, como na Sala do Meio Ambiente, onde existe um bebê brasileiro, que permite mostrar o quanto se consome de minerais em seu período de vida. Cálculos de impactos positivos e negativos da atividade mineradora
poderão ser realizados em um grande ábaco.

Quando se cria um museu, trabalha-se a autoconsciência daquilo que está no cotidiano, na vida, no dia a dia, que você não percebe. O objetivo é sair e reencontrar o que está lá fora a partir do que está dentro. “É isso que queremos fazer com as escolas, famílias, para que as pessoas comecem a organizar o conhecimento e a perceber o que não viam antes. Estou me deliciando de trabalhar com isso”, diz.

São parceiros do governo de Minas em outros equipamentos culturais do Circuito Cultural Praça da Liberdade o Banco do Brasil (Centro Cultural Banco do Brasil), a TIM/UFMG (Espaço do Conhecimento) e a Vale (Memorial Minas Gerais/Vale).

Espaços expográficos

Museu das Minas
No 1º andar – 2º Pavimento: Sala Chão de Estrelas: um planetário invertido, com lunetas e telescópios que apontam para o chão e permitem ver de perto minerais da coleção Djalma Guimarães; Mapa das Minas: um mapa interativo das jazidas minerais de Minas Gerais; Sala das Minas: a história de 11 minas e as particularidades de seus minérios com videoinstalações; Inventário Mineral (acervo físico do Museu Professor Djalma Guimarães): coleção de minerais apresentada em gavetas interativas; Sala Miragem: algumas peças de destaque do acervo flutuam no ar, efeito holográfico; Sala Meio Ambiente: a sala mostra o ciclo de vida de uma mina próxima a Belo Horizonte e apresenta na atração Livro das Leis os direitos e os deveres da mineração. Ainda na sala do meio ambiente, O bebê: plasma mostra uma estimativa do consumo, por um bebê brasileiro, de metais, minerais e outros recursos naturais durante a sua vida; Djalma Guimarães: a imagem do grande geólogo Djalma Guimarães ocupa a última sala do Museu das Minas.

Museu do Metal
No 2º piso – 3º Pavimento: Tabela Periódica: sistema de tubos metálicos, com luzes e projeções torna tangíveis os símbolos dos elementos químicos; Sala Ligas e Compostos: mostra como a combinação dos metais cria ligas com características diferentes; Língua Afiada: oito metais e oito eras, com uma superfície escultural ao centro que enfatiza as principais qualidades do metal: maleabilidade e brilho; Janelas para o mundo: o uso dos metais no passado, no presente e nos desenvolvimentos futuros; Estações Interativas: propriedades dos metais e seus processos de produção permitindo o contato direto do público; Mesa dos Átomos: jogo que permite manipular em mesa interativa elementos da tabela periódica; Vil Metal: quantos gramas de ouro eram necessárias para comprar um litro de leite em 1875? E quantos são necessários hoje? O público escolhe uma data e commodities, seja milho, cana, petróleo, água, descobrindo o valor através do tempo. Logística: um simulacro de brinquedo com escavadeira, transportar até a siderurgia, carregamento em trem até o embarque em navio; Adorno do Corpo: joias de várias culturas podem ser colocadas virtualmente no corpo; Vale Quanto Pesa: estimativa da quantidade de metais no corpo.

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Comentários

30.03.10 | marlene dantas

Levei minha neta Lara e uma amiguinha de sua idade Jade de 8 e 9 anos, para conhecer o museu, elas ficaram encantadas, e foi dificil retira-las de lá. Fizeram todas as experiencias, brincaram com o abaco, se encantaram com o elevador, enfim, tenho certesa que as crianças e os adolescentes serão os grandes beneficiados pelo conhecimento que vão adquirir visitando este museu lindo.
Valeu, Belo Horizonte está de parabens, finalmente teremos um circuito cultural na nossa cidade e poderemos nos igualar aos grandes centros culturais do mundo.

12.04.10 | Matheus Nava

Parabens `a “Minas do matos gerais ” …

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